Gustavo
afastou-se com a dúvida se tinha magoado os sentimentos do velho Proença, mas
com alívio de deixar para trás aquele ser que lhe dava repúdio. Pelo seu lado,
Proença ficou imóvel durante algum tempo, perplexo com as palavras de Gustavo.
Antes da reunião tinha intenção de dar lugar aos novos, de deixar a presidência
da comissão em alguém mais jovem da sua confiança e ao ouvir Gustavo pensou que
seria a pessoa idónea para assumir essa responsabilidade. Jamais lhe passou pela
cabeça que alguém podia candidatar-se à comissão sem que ele estivesse na
cabeça da lista ou pelo menos na lista. Ele tinha criado a comissão, tinha
representado a aldeia durante vinte anos e agora um menino da cidade vinha com
a intenção e tirar-lhe o lugar sem sequer pedir licença ou autorização. A sua
perplexidade passou a indignação e em seguida a fúria e humilhação. Decidiu que
não iria sair assim, pela porta traseira, a sua obra e o seu legado merecia o
reconhecimento dos seus concidadãos.
Dirigiu-se para casa pensando numa forma de vingar a humilhação que Gustavo lhe
fez passar, estava decidido que iria continuar a ser o presidente da comissão
nem que para isso tivesse que convencer ou mesmo obrigar a votarem todos nele.6/27/2015
Cap. 7 - A REUNIÃO
Gustavo
afastou-se com a dúvida se tinha magoado os sentimentos do velho Proença, mas
com alívio de deixar para trás aquele ser que lhe dava repúdio. Pelo seu lado,
Proença ficou imóvel durante algum tempo, perplexo com as palavras de Gustavo.
Antes da reunião tinha intenção de dar lugar aos novos, de deixar a presidência
da comissão em alguém mais jovem da sua confiança e ao ouvir Gustavo pensou que
seria a pessoa idónea para assumir essa responsabilidade. Jamais lhe passou pela
cabeça que alguém podia candidatar-se à comissão sem que ele estivesse na
cabeça da lista ou pelo menos na lista. Ele tinha criado a comissão, tinha
representado a aldeia durante vinte anos e agora um menino da cidade vinha com
a intenção e tirar-lhe o lugar sem sequer pedir licença ou autorização. A sua
perplexidade passou a indignação e em seguida a fúria e humilhação. Decidiu que
não iria sair assim, pela porta traseira, a sua obra e o seu legado merecia o
reconhecimento dos seus concidadãos.
Dirigiu-se para casa pensando numa forma de vingar a humilhação que Gustavo lhe
fez passar, estava decidido que iria continuar a ser o presidente da comissão
nem que para isso tivesse que convencer ou mesmo obrigar a votarem todos nele.Cap. 8 - UMA AVENTURA ELEITORAL
....sentiu
no ar o calor sufocante que se fazia sentir e previu facilmente que aquele
seria mais um dia de verão e calor tórrido, mas a sua mente rapidamente voou
para aquilo que tanto esperava, era o dia das eleições. Tinha passado uma noite
má, agitada com sonhos sem qualquer sentido e acordou várias vezes com ânsia de
que a escuridão da noite fosse substituída pela luz do dia. Pensou que poderia
perder as eleições e esse pensamento deixou-o quase a tremer e aí notou que
estava demasiado nervoso e ansioso, desejava saber já o vencedor e estava claro
que não estava preparado para perder, a derrota seria para ele uma enorme
humilhação e até chegou a ponderar em não aceitar o resultado caso este não
fosse do seu agrado, mas todos estes pensamentos desapareceram da sua mente,
tinha combinado tomar o pequeno almoço com Norton que estaria na mesa de voto
durante esse dia.
Cap. 9 - OS VIZINHOS
- Esses estatutos
são ridículos, não têm qualquer legitimidade, tal como este exército que você
criou está totalmente fora da lei.
- Da lei? - Gustavo
dá uma pequena gargalhada – Qual lei? Você ainda pensa que é o comandante da policia? Meu amigo, essa instituição já acabou, já não existe, tal como
desapareceu qualquer cidade de Portugal, o Estado ou mesmo o país já não
existe, o que resta de Portugal é a sua língua e restos culturais. Estamos numa
nova era e há que adaptar-se aos novos tempos. Vocês querem energia, querem
luz, então aceitem os estatutos.
- Mas entenda
senhor Gustavo – interrompeu o ex-presidente para tentar acalmar os ânimos. –
Aquilo que você pede é dar-nos energia em troca do seu controlo sob a nossa
aldeia e terras e isso é um pouco exagerado.
Cap. 10 - RUTE
- Dormes no quarto
dos convidados esta noite, amanhã de manhã deixarei-te no Centro de Dia para
iniciares o processo de cidadania. Já vi que a minha mãe te deu roupa da minha
ex-mulher, se queres podes escolher do armário aquilo que precisares.
Rute estava cansada e
pouco depois de deitar-se na cama adormeceu, mas antes fantasiou um sonho com
Gustavo, imaginou os dois a entrarem num bom restaurante, vestidos
elegantemente, a terem conversas interessantes entre olhares apaixonados e
depois um passeio junto ao mar numa noite quente de verão.
Por seu lado Gustavo,
custou-lhe adormecer, imaginou que Rute se levantaria a meio da noite para
deitar-se com ele e que sem necessidade de palavras faziam amor.
........
De todos os conselhos
que Rute lhe dava, houve um parágrafo em especial que tinha ficado na mente de
Gustavo:
- Quando estamos em
tempos conturbados como estes, é necessário que surja um governo forte e
decidido, sem medo de fazer cortes ou mudanças radicais, é importante que
controle a opinião pública e a educação, que no seu seio não haja guerras
internas ou divisões e que se necessário tenha que utilizar métodos pouco
ortodoxos para obter um resultado de união e homogeneidade. A verdade será
sempre aquela que os vencedores contam.
6/26/2015
Cap. 11 - O ATAQUE
- Ora bom dia meu
amigo José Lino, que bom voltar a vê-lo. – Faz sinal aos homens que o
acompanharam para que os deixassem sozinhos. – Da última vez que nos vimos as
posições eram diferentes, você tinha um ar arrogante, trazia homens armados e
praticamente nem me deixou falar e eu até tinha trazido as pessoas mais
tolerantes e sensatas da minha equipa, mas como não funcionou hoje trouxe
outras pessoas.
- Você é louco se
pensa que isto vai ficar assim.
Gustavo soltou uma
gargalhada espontânea e parecia divertir-se imenso com a situação.
- Então, diga-me o
que vai acontecer, vem a polícia salvar-vos? o Estado? Alguma organização ou
partido de esquerda que apoia minorias étnicas?
José Lino sentiu-se
frustrado, Gustavo tinha razão, não havia ninguém que podia ajuda-lo, estava a
mercê de um louco que tinha acabado de fazer um ato atroz ao seu povo e podia
estar perto de assistir a uma chacina, preferiu ficar calado e ouvir o que
aquele desequilibrado teria para contar-lhe, mas antes esclarecer um ponto.
Cap. 12 - CAÇA ÀS BRUXAS
Capitulo Final - PRESSÁGIO
Enquanto Zeca baixava
a cabeça e deixando cair os ombros para a frente, sentiu que era injusto o modo
como Gustavo o tratava, sentiu que por muito que tentasse nunca o satisfazia,
eram de mundos e origens diferentes, pela primeira vez uma ideia foi semeada na
sua cabeça, um golpe de estado, era ele quem mandava nos soldados, não seria
tão difícil eliminar Gustavo. Seria uma ideia para pensá-la com cuidado e mais
tarde germina-la.
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