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1/03/2026

10 anos de livros


Em 2016, dei início à escrita do meu primeiro livro, O Bom Ditador. Na altura, mergulhado na criação, não sabia bem o que faria com ele no final. Enviar a uma editora tradicional? Publicar por minha conta?

Após terminar essa primeira história, percebi que não queria parar. A minha cabeça estava — e está — cheia de histórias, personagens e fantasmas que ansiavam ganhar vida nas páginas que ia preenchendo.

Rapidamente me dei conta de algo importante: não fazia questão de partilhar este meu passatempo com as pessoas mais próximas. Era um mundo paralelo só meu, um refúgio onde viajava e criava outros universos. Por isso mesmo, afastei-me das redes sociais e recusei os poucos convites para falar com influencers sobre os meus livros.

Este tipo de liberdade permitiu-me escrever aquilo que verdadeiramente quisesse, sem barreiras de género ou expectativa — desde ficção científica, thriller, erótico a textos autobiográficos. E, como não vivo da escrita, o número de livros vendidos nunca alterou o meu estilo de vida nem a minha vontade de criar.

Olhando para trás, para estes 10 anos, sinto um profundo orgulho e uma alegria serena pelo que construí sozinho: pelos 12 livros que publiquei, pelos mais de mil exemplares vendidos anualmente.

Há uma beleza especial em construir um universo silenciosamente, tijolo a tijolo, sem ninguém a ver — até que, um dia, alguém encontra a porta e decide entrar.

Gostava, por isso, de agradecer a todas as pessoas que decidem ler um dos meus livros. Escolher um autor independente e desconhecido é sempre uma tarefa mais arriscada do que optar por um best-seller estabelecido.

Passaram uma década, mas a viagem está longe do fim. Tenho muitas ideias ainda por explorar e, enquanto estiver vivo, novas histórias e personagens certamente serão criadas.

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