sexta-feira, 26 de junho de 2015

Cap. 7 - A REUNIÃO

Gustavo afastou-se com a dúvida se tinha magoado os sentimentos do velho Proença, mas com alívio de deixar para trás aquele ser que lhe dava repúdio. Pelo seu lado, Proença ficou imóvel durante algum tempo, perplexo com as palavras de Gustavo. Antes da reunião tinha intenção de dar lugar aos novos, de deixar a presidência da comissão em alguém mais jovem da sua confiança e ao ouvir Gustavo pensou que seria a pessoa idónea para assumir essa responsabilidade. Jamais lhe passou pela cabeça que alguém podia candidatar-se à comissão sem que ele estivesse na cabeça da lista ou pelo menos na lista. Ele tinha criado a comissão, tinha representado a aldeia durante vinte anos e agora um menino da cidade vinha com a intenção e tirar-lhe o lugar sem sequer pedir licença ou autorização. A sua perplexidade passou a indignação e em seguida a fúria e humilhação. Decidiu que não iria sair assim, pela porta traseira, a sua obra e o seu legado merecia o reconhecimento dos seus concidadãos. Dirigiu-se para casa pensando numa forma de vingar a humilhação que Gustavo lhe fez passar, estava decidido que iria continuar a ser o presidente da comissão nem que para isso tivesse que convencer ou mesmo obrigar a votarem todos nele.

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